Posted by on Fev 1, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

O título por si só é bastante desafiante. A questão se Portugal vai ter de recorrer ao Fundo de Estabilidade faz páginas e aberturas de jornais. Mas afinal, será que isso iria resolver alguma coisa? E o que significa vir o FMI? Perguntas um dia antes de Portugal voltar ao mercado.

Antes de mais existe um erro que por aí se diz. Fala-se e pergunta-se se o FMI vai entrar em Portugal. Durante dois dias foi esse o tema numa conferência na Universidade de Direito de Lisboa e uma coisa ficou clara. O Fundo Monetário Internacional vem cá todos os anos, tal como explicou João Amaral Tomaz. Quando falamos desta hipótese, estamos a fazer referência ao recurso de Portugal ao Fundo de Estabilização Financeira. Um “saco de dinheiro” onde a União Europeia e o FMI juntam um total de 750 mil milhões de euros.

Um outro erro que se diz por aí é quando afirmamos que a Grécia e a Irlanda recorreram ao Fundo. Não. A Irlanda teve uma ajuda de 85 mil milhões de euros, enquanto que o pacote dado à Grécia foi antes da criação do mecanismo, ou seja, esse empréstimo não entra nestas contas.

Durante a Conferência, para além de se questionar se Portugal vai ou não pedir um empréstimo ao Fundo, ficou uma outra questão: vale a pena fazê-lo? Os exemplos das ajudas dadas à Irlanda e à Grécia mostram que os resultados não são tão positivos como se poderia gostar. Teresa Ter-Minassian, a antiga Directora do Departamento para os Assuntos Fiscais do FMI e que foi uma das responsáveis pela intervenção do FMI em Portugal há cerca de 20 anos atrás, considera no entanto que ainda é cedo para fazer análises desse tipo, mas a verdade é que os juros dos dois países continuam altos. Por isso, resta saber se Portugal receber um empréstimo as taxas de juro vão ou não descer.

Jacinto Nunes, ex-ministro das Finanças e que esteve envolvido na entrada de Portugal no FMI, não tem dúvidas: “os factores económicos estão a ser subavaliados. Os factores políticos são mais fortes”. O pedido de ajuda está a ser usado como uma “arma política” pela oposição, diz, e o Governo “entrou no jogo”. A maior parte dos oradores concorda que o país chegou a esta situação devido aos executivos das últimas décadas. O antigo ministro relembrou mesmo o excesso de auto-estradas que existe em Portugal.

Seja como for, a verdade é que a maior parte defende igualmente outra coisa: “o problema de Portugal não é igual à Grécia ou da Irlanda”. Silva Lopes considerou no início da conferência que no primeiro caso o maior problema foi no sector público, enquanto que no país do norte da Europa a questão foi no sector privado. Por cá? Um pouco dos dois, mas não tão grave. O economista defende que a taxa de juro paga por Portugal aos famosos mercados é “insustentável” e que mesmo assim, este valor é “massajado”, uma vez que apenas existe devido à ajuda do Banco Central Europeu. Se não fosse a instituição a comprar dívida no mercado secundário, os juros podiam estar bem mais altos.

Portugal vai amanhã ao mercado novamente para emitir Bilhetes do Tesouro no valor entre mil a 1 250 milhões de euros a curto prazo, com maturidade em Agosto deste ano e Janeiro de 2012.

Boas palavras para todos.