Posted by on Dez 8, 2010 in Fugas de informação | 0 comments

Qualquer dia um professor tem de pagar porque o aluno picou-se na lapizeira: o professor não garantiu que o aluno estava preparado para usa-la e estava a cinco metros a tentar não ser agredido por outro.

Onde estão os sindicatos quando os casos são pequenos e não existem todas as luzes da ribalta? Onde estão esses organismos que “lutam pelos trabalhadores” quando não é para pedir ao Governo somas de dinheiro que não existe? Onde estão os meios de reivindicação quando dá realmente trabalho e luta?

Um professor foi condenado a pagar uma multa de mais de 75 600 euros a uma aluno que caiu ao tentar fazer um salto mortal. Diz o Supremo Tribunal de Justiça que é dever do professor “não permitir que um aluno impreparado ou mal treinado para executar o salto mortal, o executasse”. Para além disso, o tribunal diz que o professor estava a “cinco metros” o que quer dizer que não estava próximo o suficiente para ajudar a aluna em caso de erro na técnica. A verdade é que a aluna com 15 anos caiu e ficou com ferimentos graves para toda a vida. 15 por cento de incapacidade.

O professor defendeu-se: “nos seus recursos, alegou que a responsabilidade, a existir, deveria ter sido exigida ou ao estabelecimento de ensino ou ao Estado Português, pelo facto de tornar obrigatório o salto mortal no 9° ano de escolaridade”.

Se a história foi realmente assim, há algo que não está bem. Claramente que a aluna não enrolou a cabeça e falhou as regras. Claramente que o professor não podia ir apanhar a aluna no ar e enrolar-lhe a cabeça. Claramente que um salto mortal não deve ser ensinado numa aula cheia de jovens barulhentes que querem é sair para o intervalo e a maioria não gosta de educação física nem lhe dá qualquer utilidade.

Se a história é assim, gostava de saber o que a Frenprof, por exemplo, tem a dizer. É um trabalhador da classe que, aparentemente, está a ser acusado de algo que não podia evitar e que agora vai ter de pagar uma multa astronómica. Não está em causa os danos que a aluna sofreu, igualmente, possivelmente, não tem culpa. A questão é saber se os tais protectores da classe que querem aumentos de ordenados quando NÃO HÁ dinheiro, não têm nada a dizer. A questão é saber se entre as tantas criticas ao(s) Governo(s) não haverá espaço para tratar realmente de uma questão que abre um precedente: os professores têm de ter asas. Qualquer dia um professor tem de pagar porque o aluno picou-se na lapizeira: o professor não garantiu que o aluno estava preparado para usa-la e estava a cinco metros a tentar não ser agredido por outro.