Posted by on Ago 1, 2012 in Fugas de informação | 0 comments

Mário Draghi é visto por muitos como aquele que pode fazer frente à Alemanha e salvar a moeda única. O presidente do BCE tornou o Banco Central mais criativo e sem tabus, fazendo frente ao conservadorismo do antigo responsável Jean-Claude Trichet.

Logo que entrou para a presidência do BCE, Mário Draghi deu sinais de que ia romper com a direcção de Jean Claude Trichet. O antigo responsável pelo Banco Central Europeu, sempre mostrou uma atitude conservadora e colocou de lado várias das medidas mais agressivas que o BCE poderia tomar para estabilizar a Zona Euro. O antigo presidente estava em sintonia com Berlim ao travar a compra de divida dos países da moeda única no mercado secundário e sempre foi modesto na descida da taxa de juro de referência. Mas com o agudizar da crise, entre 2008 e 2011 teve de descer o valor de 3,75 por cento para 1,25 em Abril do ano passado. Mas três meses depois voltou a colocar o juro em um e meio. Por momentos teve de comprar divida, mas há varias semanas que o BCE não anda no mercado.

A mudança não se fez esperar. De um estilo conservador, o BCE aos poucos ia ganhando a imagem de Mário Draghi. Mais pragmático e criativo. Sem tabus como diz o próprio presidente. Draghi chegou ao BCE e logo na primeira reunião volta a descer a taxa para 1,25 por cento e ate ao mês passado a queda foi para os 0,75. E possivelmente ainda não levou o BCE mais longe porque conta com a oposição alemã. O banco central do pais de Angela Merkel continua a defender o mesmo conservadorismo: rejeita a intervenção directa no mercado secundário, para além de não querer que o fundo de resgate compre divida directa dos países. E este é o caminho que muitos dizem estar na cabeça de Mário Draghi. O actual presidente do banco central já garantiu aos mercados que nos próximos dias o BCE vai agir de forma decisiva, ao lado dos governos dos países da moeda única. A reunião de quinta-feira promete ser decisiva, até porque muitos acreditam que vai demonstrar o resultado do braço de ferro entre o BCE e a Alemanha.

Mário Draghi tem agora uma responsabilidade acrescida. Por um lado, as decisões que tomar pode acalmar os mercados e proteger Espanha e Itália, mas caso não cumpra as expectativas a resposta pode ser bastante negativa e tornar-se uma nova acha para a fogueira que se espalha na zona euro