Posted by on Jan 20, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Maria de Belém, vice-presidente da bancada parlamentar socialista, não esconde que o debate democrático nas eleições presidenciais é “umas vezes melhor, outras vezes pior”.

À margem da VII Conferência da Indústria Farmacêutica organizada pelo Diário Económico, a deputada não escondeu a vontade de que Manuel Alegre fosse eleito Presidente da República. Numa entrevista ao ETV, Maria de Belém considerou ainda que é importante para o Serviço Nacional de Saúde gerir bem os seus fundos e que a forma de diagnosticar o cancro tem de sofrer alterações.

Diogo Carreira (DC): Numa altura de cortes, em que áreas da saúde considera que não se devia mexer?

Maria de Belém (MB): Esta conferência é extremamente importante porque permite conciliar medidas de restrição orçamental com a garantia da excelência da abordagem do cancro. De acordo com os estudos que aqui foram apresentados podemos distinguir, designadamente em relação à terapia do cancro, aquela que deve ser feita, daquela que não. Hoje em dia toda a gente é tratada consoante uma rotina e abordagem de tratamento que não tem em conta a natureza do tumor, nem a sua capacidade de responder a determinada quimioterapia. Conciliar a ciência ao que se conhece da biologia em determinadas doenças ao lado da realização de cortes na despesa é um exercício de inteligência absolutamente essencial, para não cortarmos onde faz falta.

DC: O que é preciso para garantir o nosso Sistema Nacional de Saúde?

MB: Esta abordagem tem de ser feita, tem de ser inteligente: equacionar onde gastamos o dinheiro, como é que ele é gasto e saber de que forma a ciência nos pode dar sustentação para alterarmos o caminho tradicional da abordagem em doenças como esta. A apresentação do professor Carlos Caldas mostra isso mesmo. Tive o gosto de conhecer o professor no Instituto Português de Oncologia em 1994 e é muito interessante ver como desloca a importância que hoje é dada durante o tratamento nos sistemas de saúde para a fase do diagnóstico. Um bom diagnóstico, um diagnóstico acertado, pode aliviar muitos dos recursos que estão destinados ao tratamento e que podem não estar a ser utilizados da melhor maneira.

DC: Estávamos a falar de onde não devemos cortar. E ao contrário, onde devemos apostar para garantir a segurança na área?

MB: Hoje em dia precisamos de reunir a inteligência do país nesta área, cruzá-la com a economia da saúde e identificar as metodologias da orientação do financiamento. Claro, ao lado de uma grande aposta na prevenção, na responsabilização das pessoas e fazer de cada pessoa o agente da sua própria saúde.

DC: Já que estamos a falar, gostava de lhe perguntar o que espera da eleição do próximo fim-de-semana…

MB: Espero que corra bem (risos). Eu apoio um candidato e gostaria que o meu candidato conseguisse ter um bom resultado. Mas penso que o que é sobretudo importante numa eleição desta natureza é aprofundar-mos o debate democrático, para que seja possível fazer escolhas cada vez mais informadas. A Democracia é tanto mais perfeita quando cada um de nós consegue formar a sua opinião.

DC: Considera que esse debate tem sido feito?

MB: Umas vezes melhor, outras vezes pior, mas penso que os dados estão claros e que as pessoas podem fazer a sua escolha em consciência.

Boas palavras para todos

Notas: Entrevista feita para o EconómicoTV no Pestana Palace Hotel, em Lisboa, a 20 de Janeiro de 2011. Imagem retirada da internet.