Agência de ‘rating’ portuguesa aguarda certificação da ESMA

Posted by on Ago 8, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Artigo para o site Económico – 8 de Agosto 2011

José Poças Esteves confirmou que a agência de ‘rating’ portuguesa está à espera de saber se o registo europeu foi aceite.

Os resultados deveriam sair em Junho mas José Poças Esteves mantém a confiança no registo da companhia de ‘rating’ portuguesa junto da ESMA. O vice-presidente da Saer confirmou que a “companhia portuguesa de ‘rating’ está a pedir o registo europeu e acha que tem um estatuto que lhe dá um direito a ser pelo menos ouvido. Tem 22 anos de experiência e não há mais nenhuma empresa com base europeia com a mesma quota de mercado”.

Esta é uma questão que gostava de ver resolvida brevemente, tanto que “era espectável que os resultados fossem feitos antes do final de Junho”. Assim sendo, José Poças Esteves apela a que a Comissão Europeia e a própria ESMA avancem com o processo.

Já o presidente da CMVM tinha revelado que a Autoridade Europeia de Valores Mobiliários e Mercados estava a analisar “cerca de 20 candidaturas”. Carlos Tavares, também vice-presidente da ESMA, sublinhava a necessidade de perceber porque é que só se consideram credíveis as agências que actuam actualmente no mercado, sublinhando que o papel da nova autoridade europeia terá de passar por garantir que “estas instituições têm condições para avaliar ‘ratings’ com qualidade”.

A certificação de agências com base europeia pode ser uma das soluções para terminar com o que muitos consideram ser um oligopólio no sector. Isto porque, a criação de uma agência europeia, criada pelos próprios Estados pode levantar algumas questões em relação a conflitos de interesse. Seria algo polémico ser uma entidade controlada pelos Estados a avaliar o riscos desses mesmos países.

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Finanças publicam medidas da ‘troika’ para este ano

Posted by on Jun 7, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Artigo para o site Económico – 7 de Junho 2011

Teixeira dos Santos revelou que vai publicar hoje as medidas da ‘troika’ que terão de ser implementadas até ao final do ano.

“O Ministério das Finanças vai publicar ainda hoje uma lista do conjunto das medidas que há que implementar até ao final do ano, que resultam do memorando assinado”, revelou hoje Teixeira dos Santos, à porta do Centro de Congressos de Lisboa.

O ainda ministro das Finanças explicou que vai “elaborar para cada medida mais imediata, uma ficha que descreve a medida, que indica o método ou procedimento de aplicação, quais são as iniciativas e o conjunto de preparativos que são necessários” para a sua implementação.

Estes documentos, acrescentou Teixeira dos Santos, vão incluir o ponto da situação da medida e fazem parte do dossier que Teixeira dos Santos vai entregar ao próximo Executivo. O governante disse ainda que está empenhado para fazer tudo o que estiver ao seu alcance para permitir que o País cumpra dentro dos prazos os compromissos que assumiu com a missão internacional.

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Duas semanas de uma mão cheia de votos

Posted by on Jun 5, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Opinião

Percebemos pouco ou nada. Nada ou pouco. Muito, pouco ou nada. Foi mais uma campanha eleitoral à portuguesa. Tambores, ofensas, músicas, contradições, desilusões e apelos ao voto que é sempre mais “útil” que o do lado. Muito ficou por dizer: que deduções na saúde vão ser cortadas? Como vai haver emagrecimento do Estado sem despedimentos? Que impostos aumentam para o ano? Como tirar dinheiro da Segurança Social?

Como é que a economia pode crescer? Como aumentar o emprego? Principalmente: como é possível pagar o empréstimo de 78 mil milhões de euros? Questões que vão ser postas apenas a partir de segunda-feira. É nesse dia que as preocupações se vão virar para as perguntas que não foram respondidas nos últimos dias. Desta campanha fica uma chuva de sondagens, com o PSD sempre à frente, mas com um líder social-democrata mais forte na recta final.

Francisco Pinto Balsemão, Marcelo Rebelo de Sousa e até mesmo o senhor Sonae colocaram-se ao lado de um Presidente que nem sempre foi saudado pelos conhecidos barões do partido. O apoio surge depois das sondagens indicarem uma descolagem do PSD, em relação ao PS. Sócrates, um primeiro-ministro claramente desgastado, sai da campanha com o contínuo apelo ao voto, ao voto da vitória. Poucos acreditam que volte para S. Bento, as perguntas agora focam-se numa hipotética saída do secretário-geral socialista.

Outra questão será o crescimento do CDS. Acreditam que será razoável, fica a dúvida se será estrutural. Paulo Portas é o que tem mais certeza de que vai para o Governo, um Executivo de coligação. Será este o peso na balança de Pedro Passos Coelho em questões “além troika”. Privatizar a RTP? Dar três ou quatro ministérios? Perguntas para segunda-feira que têm de ter resposta com o “factor novo”.

Já o Bloco de Esquerda, o “fenómeno” como alguns chamam, prepara-se para perder votos. A verdade é que desde a moção de censura que a estrutura tremeu. Pergunta-se se a queda será pontual ou se vai mesmo manter-se nas próximas eleições. A CDU, a coligação, pode crescer. As ideias não foram alteradas.

Uma campanha que para os estrangeiros é vista como uma “festa”, num país para poucos banquetes. Os políticos fizeram o papel que lhes cabia, bem ou mal. O Presidente da República fala sábado, em pleno dia de reflexão. O DezInteressante reuniu os jovens dos partidos para lançar as ideias principais. Agora é tempo de todos fazerem a sua parte. Ir às urnas, votar e votar bem.

Boas palavras para todos
Diogo Carreira

Agarrem-se que vamos cair

Posted by on Mai 15, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Opinião

Não se trata apenas de dizer que estamos à rasca. Não se trata de olharmos para a televisão, para os jornais, ouvirmos rádio e ficarmos a pensar. Trata-se, sim, de as coisas estarem complicadas e ficarem cada vez mais mas depender de nós que fiquem menos mal e cada vez melhor. Novos, velhos, meio-velhos, meio-novos. Todos estão a pensar o que vai ser a partir daqui. Portugal pediu ajuda externa porque não tem dinheiro, os portugueses dinheiro não têm e nada indica que as coisas vão ficar mais fácil.

Dizem-nos que vamos ter de mudar de vida. Dizem-nos que esta geração vai viver pior que a anterior. São palavras, títulos e manchetes que nos fazem pensar. Não se trata de demagogia. É antes o ter de pôr os pés no chão. Mas se apenas ficarmos por esta conversa desoladora, nada será melhor. É tempo, de uma vez por todas, acabarem com as palavras baratas e isso cabe a cada um de nós, como pessoas. Ao nosso lado vai haver alguém numa situação mais difícil, cabe a nós tentar minimizar esse problema.

A geração que vai viver pior tem mostrar que pode ser mais do que “os jovens”. Se podemos estudar, estudemos. Se temos de trabalhar, que trabalhemos. Se não tivermos um escritório, tivermos de ir para uma loja, que assim seja. Não há espaço para segundas oportunidades, não há tempo para “atitudes de gente fina”, em que a Zara não é emprego para mim.

Se todos derem esse bocadinho e deixarem o sofá da casa dos pais, pelo menos por 12 horas, tudo vai ser melhor. Não amanhã, não para o ano. Quando nos dizem “agarrem-se que vamos cair” podemos ter duas leituras: estamos perdidos, agarrem-se ao corrimão ou vamos subir, agarrem-se ao próximo.

Boas palavras para todos.
Diogo Carreira

Sejamos inteligentemente livres

Posted by on Abr 26, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Opinião

Passou mais um 25 de Abril. Tempos em que se diz que “nada mudou” depois da Revolução dos Cravos. “Estamos pior do que antes”, dizem alguns. Jovens, na casa dos 20, dos 30, dizem sem medos que devíamos voltar a ter um Salazar. “Naquele tempo havia poupança, as famílias poupavam!”, acrescentam. Até circulam uns gráficos por mail que mostram as maravilhas do Salazarismo.

Mas esquecem-se essas pessoas que antes do 25 de Abril não era poupança, era necessidade. Não se compravam sapatos para pôr no mealheiro, não se compravam para conseguir comer: uma sardinha para três. As pessoas, os nossos avós, muitos ainda vivos, eram presos por falar. As jeans, as calças de ganga, eram proibidas. O DezInteressante, este que todos os dias tem um novo texto para os cibernautas, simplesmente não existia. Nunca o projecto teria chegado ao papel se nada tivesse sido feito.

Não estaríamos aqui, a fazer o que fazemos, se os nossos avós não tivessem lutado, alguns morrido, outros sido torturados. Nunca se esqueçam que nós somos quem pode pegar em ferramentas e perceber o que andam a fazer com o nosso dinheiro, com o nosso trabalho e sobretudo, com o nosso voto.

Falta, isso sim, completar a liberdade desenhada na altura. Isso agora só depende de nós, as novas gerações, pegam no legado que lhes deixaram. E se de nós depende, que o DezInteressante siga as premissas da Liberdade.

Sejamos inteligentemente livres

Boas palavras para todos.
Diogo Carreira

FEEF ou FMI, que diferenças?

Posted by on Abr 3, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Opinião

Cavaco Silva diz aos jornalistas que não devem falar de ajuda do FMI, mas sim do FEEF, Fundo Europeu de Estabilização Financeira. O Presidente da República considera que dizer o contrário é errado. A questão é perceber porquê.

É preciso que os políticos falem claro. Os portugueses exigem que a classe que dirige o futuro do país fale olhos nos olhos de quem os elege e parece que isso é cada vez mais difícil. Cavaco Silva prometeu contenção, mas neste fim-de-semana não respondeu aos jornalistas, deixou apenas uma rectificação: não devem escrever “FMI”, mas sim “FEEF”.

O problema é que se ficou por aqui: não explicou a razão, virou as costas. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, o tal FEEF, é um mecanismo desenvolvido pela União Europeia para garantir ajuda aos países que precisarem de auxílio. É como se fosse um cofre com dinheiro onde os países que não conseguem financiamento nos mercados, ou seja, não conseguem pedir dinheiro emprestado, podem tirar parte das verbas, pagando um juro fixo.

Mas o cofre não tem só contribuições europeias: parte é da responsabilidade do Fundo Monetário Internacional. Os problemas gregos abriram o precedente e levaram à criação do mecanismo. A Irlanda recorreu a esta ajuda. Para conseguirem o empréstimo, ambos os países tiverem de levar a cabo reformas muito duras, medidas indicadas pelo FMI. Mais: Christine Lagard, ministra das finanças francesa, já garantiu que nenhum país vai ter a possibilidade de recorrer ao fundo sem passar pelo crivo do FMI.

Na prática, para aceder-se ao fundo é preciso e obrigatório que o Fundo Monetário Internacional aprove um conjunto de medidas estruturais. Por isso, não parece ser descabido dizer que recorrer ao fundo europeu será, na prática, recorrer ao FMI.

Estas palavras do Presidente da República podem ter uma outra leitura: o Expresso avançou a notícia de que Cavaco Silva, PSD e CDS estavam a preparar um pedido de ajuda ao FMI sem passar pelos parceiros europeus. Esta podia ser uma forma do Chefe de Estado desmentir a manchete. Mas se assim era, não merecia o povo saber que essa não é uma hipótese? Quando se exige clareza, não seria positivo para todos se houvesse uma linguagem transparente? . Leia-se “positivo para todos”, positivo para os portugueses, excluindo os interesses dos partidos políticos.

Do Papel para o Online

Posted by on Mar 28, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Passar do papel para o online foi o mote da dissertação de mestrado que estou prestes a defender. Estudar os novos desafios dos jornais seria por si só incoerente se o fizesse apenas no papel. Não teria lógica mostrar como é que as novas tecnologias mudaram os órgãos de comunicação social se também o trabalho que realizei sobre o tema não pusesse o pé no online.

Por isso decidi criar este site, pesquisar como poderia levar até ao mundo inteiro a dissertação “A Pegada da Internet nos Jornais: Tendências e Desafios do Papel”. A transmissão será feita através do site Bambuser, que vai estar incorporado nesta página e também vai ser partilhado no Facebook. Pelo menos, vamos tentar….

Transmissão prevista para as 16h45 no dia 31 de Março de 2011 em directo da Universidade Católica Portuguesa.

Ir para a transmissão online.

À Conversa com Ana Gomes

Posted by on Mar 23, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

A Eurodeputada Ana Gomes acusa a Alemanha de preconceito pelo sul da Europa. Numa entrevista ao jornalista Diogo Carreira, Ana Gomes mostra-se ainda preocupada com a situação na Líbia e critica a posição da União Europeia em relação ao regime de Kadhafi.

Diogo Carreira (DC): Com as mudanças no apelidado por vezes mundo Árabe, de que forma é que a União Europeia olha para esta região?

Ana Gomes (AG): A União Europeia tem olhado de uma forma errada. Tem sobrevalorizado os fluxos migratórios e as relações económicas com esses países. Claro que são importantes, mas não podem ser um factor determinante do relacionamento com os países da orla sul do Mediterrâneo. Por outro lado, a União Europeia tem desvalorizado a obrigação de promover democracias e direitos humanos. Por isso é que muitos dos revoltosos no norte de África mostram um desapontamento em relação à União Europeia pela forma como conduziu as suas políticas externas, em contradição com os seus princípios. Na prática apoiou e sustentou os tiranos que os diferentes povos árabes estão agora a escorraçar.

DC: Diz que a União Europeia apoiou estas ditaduras mas agora vemos que a própria Europa começa a congelar bens dos líderes depostos. Não é uma contradição?

AG: É uma contradição desde logo com os princípios da União Europeia. Os diferentes Governos valorizaram mais a política económica e de migração, defendendo cada vez mais a ideia de uma Europa fortaleza.

DC: Então a Europa deve apoiar os regimes que defendeu de certa forma até agora, ou apoiar os ideias que parecem estar a surgir?

AG: As pessoas nestes países estão a demonstrar os valores que nós defendemos! Muitas vezes com a própria vida.

DC: Defende que é tempo de defender estas vontades emergentes…

ana gomes, eurodeputadaAG: Com certeza. Devemos apoiar aqueles que desde a Tunísia ao Egipto, passando agora pela Líbia, estão a levantar-se para exigir melhores condições de vida, por liberdades e democracias. Nós não vemos manifestações anti-ocidentais. Ninguém queimou bandeiras de Israel, da União Europeia ou dos EUA.

DC: Mas imagine que os regimes autoritários resistem e não saem do poder.

AG: Estas movimentações populares mostram que os povos estão sequiosos de Democracia, de liberdade de expressão e de liberdades políticas a que têm direito. Não podemos continuar a justificar o apoio às ditaduras com o pretexto de que elas seriam o garante contra os movimentos fundamentalistas. Temos obrigação de ajudar estas pessoas que querem aquilo que nós queremos.

DC: E essa ajuda deve ser feita de uma forma directa?

AG: Deve e pode. Temos um quadro doutrinário e acordos para isso.

DC: De que forma?

AG: Através de ajuda financeira, por exemplo. Apoios destinados a apoiar a construção de instituições democráticas, desde logo a existência de media com liberdade e independência.

DC: Ainda vamos a tempo?

AG: Vamos a tempo. Não podemos esquecer que também temos um papel importante na garantia da organização de eleições livres. Muitos destes países não têm partidos políticos, tal como não tínhamos antes do 25 de Abril. Devemos passar esta experiência para estas nações.

DC: Recentemente criticou as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado. Considera que o Governo tem tido uma atitude errada?

AG: Não foi recentemente, eu critiquei desde sempre. Eu sou totalmente favorável ao estabelecimento de relações económicas. Não critico que tenham sido desenvolvidas as relações económicas com estes países. O que critico é que se tenha tentado ser ultra-zeloso ao ponto de se dar respeitabilidade e credibilidade a regimes que não mereciam. Particularmente o líbio, dirigido por um louco. Um louco de provas dadas de ataques terroristas. Ver dirigentes portugueses a dizer palavras elogiosas a este louco terrorista ou viajarem à Líbia para celebrar os 40 anos de ditadura, francamente não aceito.

DC: A Ana sempre foi muito crítica em relação a vários assuntos. Não receia represálias?

AG: De maneira nenhuma. Eu estou na política para ser construtivamente crítica, principalmente em relação ao meu partido. Do meu partido eu tenho expectativas.

DC: E nunca teve problemas?

AG: Claro que tive. Esse é o perigo que se passa e é para isso que estou na política.

DC: Voltando as atenções à situação no nosso país. Existe o receio de que Portugal terá de recorrer ao Fundo de Estabilidade Europeu. Paulo Rangel já defendeu que o nosso país não vai ter outra hipótese. É da mesma opinião?

AG: Não concordo de todo. Nem com Paulo Rangel nem com todos aqueles que têm uma opinião fatalista e derrotista. Todos sabemos que estamos numa situação difícil e apoio totalmente o Governo de José Sócrates em resistir. Sabemos que estes ataques feitos pelos especuladores têm como objectivo destruir o Euro. A Europa tem de voltar a ter políticas que passam pela sustentação do Euro. Têm de haver mecanismos que consigam corrigir os desequilíbrios macro-económicos.

DC: Mas esta situação é sustentável?

AG: Não tenho dúvidas nenhumas de que este ataque feito a Portugal está muito relacionado com o preconceito que os Alemães têm em relação ao nosso país e aos países do sul e que não têm em conta aspectos essenciais de sustentabilidade, nem de governabilidade económica e até do interesse deles a longo prazo. Na próxima cimeira de Março a Europa tem de tomar medidas de flexibilização do fundo que pode diminuir os juros de empréstimos, também para nós. Estão a querer empurrar-nos para o fundo que até sabemos que não tem as melhores condições, tal como nos mostram as situações da Irlanda e Grécia. O objectivo final destes especuladores é chegar a Espanha e em Espanha os nossos amigos alemães têm muito dinheiro enterrado. Aí vai-lhes bater à porta e vão perceber que são necessárias medidas. Portugal não pode separar-se de Espanha.

DC: A oposição defende que no caso de Portugal ter de recorrer ao fundo, terá de haver uma mudança de Governo. Nesse cenário, José Sócrates seria a melhor escolha do Partido Socialista?

AG: O pior que podia acontecer era termos uma crise política. O Governo está numa trajectória de contenção orçamental e de medidas de austeridade que eu gostaria que fossem mais justas socialmente. Estratégia que tem a aprovação do principal partido da oposição e que está comprometido neste percurso. O Governo tem de resistir.

DC: Temos as eleições do PS à porta. Acredita que José Sócrates será reeleito?

AG: Penso que não fazia sentido mudar a liderança do Governo nem do Partido Socialista. Não acredito que seja agora que vá haver mudanças.

DC: Como vê a existência de várias candidaturas?

AG: Isso é normal dentro de um partido democrático. Independentemente da importância do debate de ideias que cada uma vai trazer, tenho poucas dúvidas que a maioria dos socialistas vai reeleger José Sócrates.

DC: Mesmo a terminar: nas divulgações do Wikileaks, a Ana é referida como sabe como um “rottweiler à solta”….

AG: (risos) A minha reacção é esta. É de rir. Incomodarei muita gente… pois… e não largarei e não largo (risos).

DC: É uma ofensa ou um elogio?

AG: O intuito poderia ser ofensivo, mas eu tomo como um elogio. As causas em que me meto são causas que merecem persistência.

Uma política “à rasca”

Posted by on Mar 23, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

 Opinião

Agora tudo é razão para dizer que está “à rasca”. É quase um vício irresistível. “Geração à rasca”, “25 de Abril à rasca” e por aí fora. A verdade é que no fundo existe algo que está mesmo “à rasca” mas ainda ninguém o admitiu nestes moldes: a política. E para isso aponto simples pontos.

- Está “à rasca” porque as pessoas cada vez ouvem menos, querem saber menos e pior, dão cada vez menos credibilidade;

- Está “à rasca” porque não sabe como justificar a situação. A culpa não é de quem governou, não é de quem governa. A situação é esta não devido à oposição actual, nem à oposição passada. A razão não se deve nem ao Governo, nem aos Governos, nem ao Parlamento e muito menos à Presidência da República;

- Está “à rasca” porque não tem coragem. Por um lado há a ameaça de que o Governo se demite, por outro dizem que não vão dar ao Executivo o que é preciso para se manter em funções. Se a situação é esta e ninguém vai mudar de opinião, então o que falta para acabar com a situação e ir para eleições? Calculismo político;

- Está “à rasca” porque seja quem for que vai governar terá de fazer o mesmo ou pior do que faz quem já está a governar. A dificuldade é descobrir como o justificar;

- Está “à rasca” porque já não sabe negociar, porque rendeu-se a “politólogos”;

- Está “à rasca” porque já esqueceu o objectivo fundamental: liderar um país e um povo;

Por outras palavras, a política está à rasca, sem aspas.

Boas palavras para todos.

Cavaco Silva os jovens e os recados em dia de tomada de posse

Posted by on Mar 9, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Cavaco Silva não esqueceu os jovens e parece estar a falar do próximo sábado. O Presidente da República tomou posse com a promessa de uma “cooperação”. Cooperação que começa com recados e que não tardou a receber criticas principalmente do Partido Socialista.

Não terá sido certamente com o pé direito que Cavaco Silva entrou neste novo mandato como Presidente da República. Pelo menos em relação à promessa de cooperação. Francisco Assis, líder da bancada socialista, foi claro ao assumir que não gostou do discurso do Chefe de Estado. Miguel Macedo, líder da bancada laranja, pelo contrário, diz que foi o discurso mais marcante de uma tomada de posse, enquanto que Paulo Portas, do CDS, classifica o discurso como “forte e verdadeiro”. A esquerda segue o tom do PS, com Francisco Louçã a dizer que Cavaco Silva tem uma “visão ligeira” sobre os 10 anos que “liderou o Governo”. Pelo lado do PCP, Jerónimo de Sousa considera que Cavaco Silva “deu um contributo ao PSD” e que “tomou partido pelo seu partido”.

Perante o Parlamento, Cavaco Silva falou dos indicadores de Portugal, com destaque para o número de desempregados e o fraco crescimento económico. Defende um discurso de “verdade” e minuto a minuto foi deixando alguns recados ao actual Executivo mas também ao povo português, principalmente aos mais jovens.

“Sobressalto cívico”

Cavaco Silva parece que está atento ao próximo sábado, dia da marcha apelidade da “geração à rasca”. O Presidente da República sublinha a necessidade da sociedade portuguesa acordar, dizendo que “não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro coloca”. Assim, defende um “sobressalto cívico” que “faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes políticos”.

Jovens

As camadas mais novas devem ser chamadas a intervir de várias formas. A meio das suas palavras, sublinha que é necessário “atrair os jovens para a iniciativa empresarial”. O Presidente da República vai mais longe e diz que estes novos empreendedores têm de ter “autonomia do poder político, que não esperem qualquer tipo de protecção ou de favores, cidadãos empenhados na qualidade e na inovação, dispostos a assumir riscos e a competir no mercado global”.

Cavaco Silva não desconhece que existe uma separação e um interesse cada vez menor por parte dos mais novos em relação ao poder político e teme que decidam sair do país. “Muitos jovens não se revêem na actual forma de fazer política nem confiam que, a manter-se o actual estado de coisas, Portugal seja um espaço capaz de realizar as suas legítimas ambições. Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança dos jovens nos governantes e nas instituições”, concretiza.

Os jovens devem mesmo ser os “protagonistas da mudança, participando de forma construtiva”.

“As nomeações devem ser feitas exclusivamente por critérios de mérito”

Durante o discurso de tomada de posse, Cavaco Silva não poupou criticas à classe da qual também faz parte. Considera que muitos políticos “não conhecem o país real”, mas apenas “só conhecem um país virtual e mediático”. E para exercer funções públicas, o Chefe de Estado considera que tem de se seguir princípios básicos. As nomeações para cargos dirigentes da Administração pública devem ser feitas “exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas”.
Por isso, quem tem responsabilidades, não pode permitir que os mais novos vejam o futuro adiado “devido a opções erradas tomadas no presente”.

Grandes investimentos

Não é a primeira vez que Cavaco Silva fala nos seus discursos sobre grandes investimentos. Desta vez não usou a palavra TGV, mas deixou a ideia de que essa é uma obra que deve ser reavaliada. O Chefe de Estado considera que não se pode “privilegiar grandes investimentos” que não têm condições de financiamento e que “não contribuem para o crescimento da produtividade”, para além de que têm um “efeito temporário e residual na criação de emprego”. Para o Presidente da República, “não se trata de abandonar os nossos sonhos e ambições. Trata-se de sermos realistas”.

“Risco sério de pagamento de juros ao exterior”

Para Cavaco Silva, “o financiamento do Estado continua a ser feito a taxas anormalmente elevadas”. Isto leva a que exista um “risco sério de o pagamento de juros ao exterior travar a indispensável redução do desequilíbrio externo”. Para contornar a dependência com o exterior, o Chefe de Estado defende que é “fundamental que os portugueses assimilem” que é necessário produzir mais bens de forma a competir com os produtos de outros países. A poupança é importante e para isso é necessário estimular esta estratégia. Afinal, diz o Presidente da República, “um défice externo elevado e permanente é, por definição, insustentável”.

A família

Considerado por alguns a parte mais conservadora do discurso, Cavaco Silva falou da importância da família. Nas palavras do Presidente, esta tem um “papel absolutamente nuclear” no período adverso que o país atravessa. “A família é um espaço essencial de realização da pessoa humana e, em tempos difíceis, constitui o último refúgio e amparo com que muitos cidadãos podem contar”. Um “elemento agregador” da sociedade, continua, que necessidade de apoios à natalidade, que proteja os mais novos e os mais velhos e que garanta a ligação entre as diferentes gerações.