Este trabalho sempre teve um risco principal: mais perguntas do que respostas. Desde o início que nos oferecemos a identificar tendências na forma como os jornais olham para as mudanças nas nossas sociedades levadas a cabo em simultâneo com a entrada da internet no mundo. No entanto, sendo esta uma questão a ser desenvolvida globalmente, não podemos dizer o que o futuro exacto está reservado a estes órgãos de comunicação social.

Podemos, sim, deixar algumas ideias.

- Os jornais já não podem trabalhar para o dia seguinte, semana seguinte, ou mês seguintes. A informação tem que estar actualizada ao minuto no site de cada título;

- Os sites aumentam a experiência dos utilizadores e não podem servir apenas como um “depósito” do que sai no papel;

- O papel não pode limitar-se a relatar o que aconteceu no dia seguinte. Ao contrário, tem de conseguir dar ao leitor uma explicação mais trabalhada da realidade;

- O trabalho que consideramos “informacional” tem uma expressão no jornalismo. Os profissionais de media têm que ter agora mais e novas aptidões, saber utilizar outras ferramentas, mantendo as características até agora conhecidas;

- O modelo de negócio dos jornais está a mudar. Falta saber como rentabilizar a internet, partindo do princípio que os lucros antigos não são a realidade actual e que a maioria das pessoas não quer pagar por conteúdos online;

- Existe uma tendência para que os sites de jornais sigam linhas orientadores similares, fazendo com que não sejam muito distintos entre eles;

- Há o risco das notícias na internet tornarem-se demasiado repetitivas, já que existe um recurso especial a agências noticiosas;

- Os leitores do papel em papel estão a cair, neste que é o suporte que origina mais receitas. No site as visitas crescem exponencialmente, mas os valores geridos aqui rondam apenas os 10 por cento das receitas totais (segundo os nossos exemplos);

- As redes sociais são de extrema importância, ao lado de uma interactividade crescente entre jornais, jornalistas e leitores;

- É quase impossível não ter uma edição online, correndo-se o risco da imagem do suporte tradicional ser posta em causa;

- A presença na internet transporta a marca e a credibilidade do suporte em papel, sendo que um dano na imagem de um, terá correspondência no outro;

- Os jornalistas vêem as redacções diminuir;

- Coloca-se a questão: será que os jornais vão acabar?

Pelas opiniões que recolhemos, isso não deverá acontecer. A internet rasgou a imprensa, pelo menos na forma como a conhecemos hoje. Existe a necessidade do papel inovar e arriscar em novas formas de distribuição.

Tal como tínhamos consciência, aconteceram inúmeras mudanças durante os anos da investigação, parte delas numa altura que era impossível refazer o trabalho. Martim Avillez Figueiredo saiu do i, tal como outros profissionais. Henrique Monteiro anunciou que em 2011 vai deixar a direcção do Expresso, tomando funções como Administrador não executivo da Impresa Publishing e Diretor Coordenador Editorial para  Novas Plataformas. O Sol mudou de página. Esta última alteração só veio provar as tendências apontadas em relação aos sites de jornais, uma vez que grande parte do que foi relatado em outros títulos, foi adoptado pelo semanário.

Não poderia deixar de agradecer a todos os profissionais que deram um pouco do seu tempo para gravar entrevistas ou responder por mail a várias perguntas e dúvidas que foram surgindo, conversas disponíveis nos Anexos. De sublinhar a total disponibilidade da equipa do i que abriu as portas da redacção para fazer este estudo, assim como do Público que cedeu dados relevantes para a análise, fora as entrevistas e questões colocadas. A lista dos entrevistados poderá ser encontrada nos anexos.

Este foi um trabalho realizado ao mesmo tempo que fui desenvolvendo a minha actividade profissional como jornalista, o que não poderia ter sido feito sem a colaboração de alguns colegas e amigos. Um agradecimento especial à equipa da TVNET que me foi disponibilizando tempos de estudo, ao meu coordenador, o professor Fernando Ilharco, que teve o cuidado de me receber aos finais de dia, fora todos os outros que durante quase dois anos foram orientando, conduzindo e ouvindo, família e amigos.