Posted by on Mar 9, 2011 in Fugas de informação | 0 comments

Cavaco Silva não esqueceu os jovens e parece estar a falar do próximo sábado. O Presidente da República tomou posse com a promessa de uma “cooperação”. Cooperação que começa com recados e que não tardou a receber criticas principalmente do Partido Socialista.

Não terá sido certamente com o pé direito que Cavaco Silva entrou neste novo mandato como Presidente da República. Pelo menos em relação à promessa de cooperação. Francisco Assis, líder da bancada socialista, foi claro ao assumir que não gostou do discurso do Chefe de Estado. Miguel Macedo, líder da bancada laranja, pelo contrário, diz que foi o discurso mais marcante de uma tomada de posse, enquanto que Paulo Portas, do CDS, classifica o discurso como “forte e verdadeiro”. A esquerda segue o tom do PS, com Francisco Louçã a dizer que Cavaco Silva tem uma “visão ligeira” sobre os 10 anos que “liderou o Governo”. Pelo lado do PCP, Jerónimo de Sousa considera que Cavaco Silva “deu um contributo ao PSD” e que “tomou partido pelo seu partido”.

Perante o Parlamento, Cavaco Silva falou dos indicadores de Portugal, com destaque para o número de desempregados e o fraco crescimento económico. Defende um discurso de “verdade” e minuto a minuto foi deixando alguns recados ao actual Executivo mas também ao povo português, principalmente aos mais jovens.

“Sobressalto cívico”

Cavaco Silva parece que está atento ao próximo sábado, dia da marcha apelidade da “geração à rasca”. O Presidente da República sublinha a necessidade da sociedade portuguesa acordar, dizendo que “não pode continuar adormecida perante os desafios que o futuro coloca”. Assim, defende um “sobressalto cívico” que “faça despertar os portugueses para a necessidade de uma sociedade civil forte, dinâmica e, sobretudo, mais autónoma perante os poderes políticos”.

Jovens

As camadas mais novas devem ser chamadas a intervir de várias formas. A meio das suas palavras, sublinha que é necessário “atrair os jovens para a iniciativa empresarial”. O Presidente da República vai mais longe e diz que estes novos empreendedores têm de ter “autonomia do poder político, que não esperem qualquer tipo de protecção ou de favores, cidadãos empenhados na qualidade e na inovação, dispostos a assumir riscos e a competir no mercado global”.

Cavaco Silva não desconhece que existe uma separação e um interesse cada vez menor por parte dos mais novos em relação ao poder político e teme que decidam sair do país. “Muitos jovens não se revêem na actual forma de fazer política nem confiam que, a manter-se o actual estado de coisas, Portugal seja um espaço capaz de realizar as suas legítimas ambições. Precisamos de gestos fortes que permitam recuperar a confiança dos jovens nos governantes e nas instituições”, concretiza.

Os jovens devem mesmo ser os “protagonistas da mudança, participando de forma construtiva”.

“As nomeações devem ser feitas exclusivamente por critérios de mérito”

Durante o discurso de tomada de posse, Cavaco Silva não poupou criticas à classe da qual também faz parte. Considera que muitos políticos “não conhecem o país real”, mas apenas “só conhecem um país virtual e mediático”. E para exercer funções públicas, o Chefe de Estado considera que tem de se seguir princípios básicos. As nomeações para cargos dirigentes da Administração pública devem ser feitas “exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas”.
Por isso, quem tem responsabilidades, não pode permitir que os mais novos vejam o futuro adiado “devido a opções erradas tomadas no presente”.

Grandes investimentos

Não é a primeira vez que Cavaco Silva fala nos seus discursos sobre grandes investimentos. Desta vez não usou a palavra TGV, mas deixou a ideia de que essa é uma obra que deve ser reavaliada. O Chefe de Estado considera que não se pode “privilegiar grandes investimentos” que não têm condições de financiamento e que “não contribuem para o crescimento da produtividade”, para além de que têm um “efeito temporário e residual na criação de emprego”. Para o Presidente da República, “não se trata de abandonar os nossos sonhos e ambições. Trata-se de sermos realistas”.

“Risco sério de pagamento de juros ao exterior”

Para Cavaco Silva, “o financiamento do Estado continua a ser feito a taxas anormalmente elevadas”. Isto leva a que exista um “risco sério de o pagamento de juros ao exterior travar a indispensável redução do desequilíbrio externo”. Para contornar a dependência com o exterior, o Chefe de Estado defende que é “fundamental que os portugueses assimilem” que é necessário produzir mais bens de forma a competir com os produtos de outros países. A poupança é importante e para isso é necessário estimular esta estratégia. Afinal, diz o Presidente da República, “um défice externo elevado e permanente é, por definição, insustentável”.

A família

Considerado por alguns a parte mais conservadora do discurso, Cavaco Silva falou da importância da família. Nas palavras do Presidente, esta tem um “papel absolutamente nuclear” no período adverso que o país atravessa. “A família é um espaço essencial de realização da pessoa humana e, em tempos difíceis, constitui o último refúgio e amparo com que muitos cidadãos podem contar”. Um “elemento agregador” da sociedade, continua, que necessidade de apoios à natalidade, que proteja os mais novos e os mais velhos e que garanta a ligação entre as diferentes gerações.