Posted by on Jul 18, 2012 in Fugas de informação | 0 comments

Artigo para o site Económico – 18 de Julho 2012

Má Despesa Pública é o título do livro que viaja pelas despesas mais duvidosas do Estado. Um site que custou 600 mil euros e ofertas em ouro são apenas dois dos exemplos denunciados num blogue que agora dá origem a um livro.

É uma factura que todos estamos a pagar em mais de 200 paginas. Um jornalista e uma jurista juntaram-se para fazer um levantamento da má despesa pública. Ele chama-se Rui Oliveira Marques, ela Bárbara Rosa. Os dois dão exemplos de gastos excessivos que às vezes não têm explicação à primeira vista. Ora vejamos: um site, do Douro Valley, que custou aos contribuintes 600 mil euros, um autarca entrevistado por seis mil euros ou relógios de ouro de quase 32 mil euros para oferecer aos funcionários da câmara de Almada. Esta é matéria de facto, encontrada no domínio público. Entre várias dificuldades e falta de transparência os autores sublinham a falta de informação sobre o orçamento da presidência da república.

Rui Oliveira Marques disse ao Económico que já tentaram “como cidadãos perceber em detalhe o orçamento da presidência, já fizemos contactos e até agora nunca tivemos resposta”. O autor do livro encontrou “cinco relatórios sobre eficiência energética do Palácio de Belém” mas nada sobre o “orçamento detalhado”. Bárbara Rosa até admite que “Portugal tem as leis” mas o problema é cumprir. Confessa que a culpa “é de todos nós, e que todos também fomos cúmplices” já que “sempre tivemos acesso a obras disparatadas, festas, regalais, a nomeações de familiares que do ponto de vista legal está certo mas não é moral. Nós todos, a começar pela classe política, temos de ter um dever acrescido de competência e rigor na gestão da coisa pública”. A apresentação ficou a cargo de Luís Pedro Nunes que classifica a obra como um “livro perigoso, que mostra que não vivemos acima das nossas possibilidades mas sim na total irresponsabilidade. Estas são notícias de gastos alucinados”. Luís Pedro Nunes remata ao dizer que “olhando para aqui, pela parte de quem gere, não há nenhum medo de ser responsabilizado pelo mau uso do dinheiro”.

Uma conta de telemóvel de 765 mil euros em apenas dois anos, assinaturas do Finantial Times no valor de 15 mil euros: tudo facturas do Banco de Portugal. Fora uma escultura para Oeiras de mais de um milhão de euros. Entre os exemplos encontra-se ainda o caso do município de Beja, onde em 2010 os salários da Assembleia Distrital estiveram em causa. Ainda assim, em 2011 investiu perto de 75 mil euros no Festival do Amor. Exemplos no Má Despesa Pública que saíram do online para o papel e que continuam a ser desvendados no blogue que deu origem ao livro.

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